Mercado de energia renovável da China cresce rápido demais para sua rede e gera novos entraves

Escrito por Valdemar Medeiros

A China está ‘desperdiçando cada vez mais energia renovável’, tendo em vista que adiciona turbinas de energia eólica e painéis de energia solar mais rápido do que sua rede é capaz de utilizá-los. Cerca de 12% da energia renovável gerada por parques eólicos na Mongólia Interior este ano foi desperdiçada, pois a rede não aguentou.

De acordo com o Economic Information Daily, citando dados do governo da China, Qinghai desperdiça cerca de 10% da energia solar gerada. Na província de Gansu, terra ensolarada e rica em ventos, entretanto pouco povoada, a taxa de uso de energia renovável pode cair abaixo de 90% este ano, em relação ao último ano, que era cerca de 97%.

China comete erro com aceleração do ritmo de instalações de fontes renováveis

Apesar da desaceleração da economia e o uso de energia renovável da China em meio aos bloqueios gerados pela pandemia do Covid-19 terem algo a ver com isso, o principal culpado deste desperdício é o ritmo acelerado das instalações de parques de energia renovável.

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A China bateu um recorde para adições de capacidade eólica em 2020 e energia solar no último ano, com expectativa de dobrar esta marca em 2022.

Entretanto, ao contrário de montes de carvão, não é possível apenas economizar o vento e a luz solar para quando precisar, sendo assim, toda a capacidade extra está gerando mais energia renovável do que a rede é capaz de utilizar e precisa ser cortada para evitar uma sobrecarga. 

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Isso é ruim para as concessionárias que não podem ser pagas por essa energia renovável e também é prejudicial ao meio ambiente, pois a energia jogada “fora” poderia ter reduzido as emissões da queima de carvão.

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A China foi atormentada por altas taxas de redução na última década e, no fim de 2017, introduziu um sistema de cotas para que as regiões fossem forçadas a desacelerar novos projetos até que todo o seu poder estivesse sendo utilizado, resultando em adições no setor eólico e solar, caindo em 2018 e 2019, revertendo meia década de ganhos crescentes.

China passa a investir em carvão mesmo sendo líder em energia renovável

O carvão, um dos mais poluidores entre os combustíveis fósseis, sempre foi a base da matriz energética da China, entretanto nos últimos anos veio perdendo espaço.

A partir de 2016, o governo passou a restringir os projetos, devido a um excesso de capacidade. De acordo com dados do Global Energy Monitor, o excesso girava em torno de 400 GW.

Até que a pandemia chegou e de janeiro para junho, o país aprovou projetos de novas usinas de carvão que somam 17 GW em capacidade. É mais do que o dobro do aprovado nos últimos dois anos, somados. Sendo assim, o país chegou a um total de 249 GW de energia a carvão em desenvolvimento em 2020, um número 21% maior do que em 2019.

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Investimentos em energia renovável baratearam equipamentos

A grande procura por painéis de energia solar no Brasil está diretamente ligada a uma política recente da China, que passou a investir ainda mais em energia renovável nos últimos anos.

De acordo com Larissa Wachholz, especialista do núcleo de Ásia do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, a partir do momento em que a China passou a incentivar as energias renováveis, um impacto imediato foi a fabricação em larga escala desses equipamentos e isso já teve um efeito em todo mundo, tendo em vista que barateou o custo dos painéis solares por exemplo.

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